Cerca de 500 tartarugas marinhas morrem no litoral de Sergipe em três meses; redes de pesca são a principal causa
02/04/2025
(Foto: Reprodução) Segundo o Projeto Tamar, cerca de 90% das tartarugas que morreram são adultas fêmeas em plena atividade reprodutiva, que se deslocam para fazer a desova na praia e acabam presas em redes de pesca. Como elas não conseguem voltar para a superfície e respirar, morrem afogadas. Pesca ameaça reprodução de tartarugas no litoral de Sergipe, afirmam especialistas
Em três meses, quase 500 tartarugas marinhas morreram em praias de Sergipe, o dobro do registrado no mesmo período de 2024. Segundo o Projeto Tamar, redes de arrasto, usadas na pesca de camarão, são a principal causa.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 SE no WhatsApp
Ainda segundo o Projeto Tamar, cerca de 90% das tartarugas que morreram são adultas fêmeas em plena atividade reprodutiva, que se deslocam para fazer a desova na praia e acabam presas nas redes. Como elas não conseguem voltar para a superfície e respirar, morrem afogadas.
“Isso mostra que o animal estava saudável e teve uma morte súbita. Geralmente está associado à interação com o apetrecho de pesca”, disse o veterinário do Tamar, Saulo Brandão.
Tartaruga encontrada morta na Barra dos Coqueiros, em Sergipe
TV Sergipe/Reprodução
A estimativa do Projeto Tamar é que as mais de 460 mortes até o final de março impediram a criação de cerca de mil ninhos, que geraram mais de 80 mil filhotes de tartarugas.
“A perda biológica desses animais é muito mais significativa porque o animal iria recompor a população e voltaria todos os anos para depositar seus ovos em nossas praias e assim dar continuidade na perpetuação da espécie”, explicou o biólogo Fábio Santos.
Para evitar esse tipo de acidente, essas redes de arrasto para pesca devem ser instaladas com uma distância mínima de duas mil milhas náuticas, cerca de três quilômetros. A multa para descumprimento da lei varia de R$ 700 a R$ 1.000.